segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PACIÊNCIA

com o tempo
compreendemos
que a paciência
sempre vai ser
nossa melhor amiga

vai dar assistência
para que a dor adormeça
cada vez mais mansa
até virar cicatriz

sem perder a briga
sem perder a cabeça
sem perder a esperança
de ainda ser feliz

quinta-feira, 14 de julho de 2011

2 (DUAS)

uma me completa
a outra me leva metade
com uma é prazer na certa
pra outra é certo fazer vontade
ambas deixam minha alma deserta
cada uma na sua especialidade:
uma tira todo o resto da reta
a outra tanto queima que arde

como podem ser tão espertas
a ponto de manter uma amizade?
e estar sempre, assim, alertas
evitando uma fatalidade
pois se uma esquece a porta aberta
a outra espera e só então invade
uma se chama roberta
a outra se chama saudade

sexta-feira, 1 de julho de 2011

censura

tenho tanta raiva
das coisas que você pensa
e não me diz
você finge que é doença
você pensa que é atriz
mas não engana, pequena
não engana
que pena!

preste muita atenção:
a tristeza vai chegar
junto com a solidão
e invadir esse lugar
reservado pros segredos
essa espécie de prisão
onde você prendeu seus medos
e torturou seu coração

quinta-feira, 16 de junho de 2011

creio no não

se eu pudesse
teria feito
tudo diferente
não punha no peito
a gente
assim, juntos
não teria puxado assunto
com o coração

mas então eu me pergunto:
eu ficaria mais contente
namorando a solidão?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Manhã poética

Hoje eu acordei poeta
Se não completamente
Ao menos um pouco mais

Como um bandido
Que acorda pro crime
Sem sono nenhum
E sente
Que além da casa quieta
Alguma outra coisa
vem roubar-lhe a paz

Ou como um cachorro
Que acorda ganindo
E cagando onde não deve
Pois sente que assim
Ele é um pouco mais
Cachorro

Nesse instante
Tudo é poesia
Por mais que seja breve
Transforma-se
Em belezas
De se sorrir
com o canto da boca
E o fundo da alma

Tudo está em calma
Menos eu
Quando acordo poeta
Injetando emoção
Onde não há

Deixei a casa
De janelas abertas
Para que ela passasse frio
Escolhi as ruas
Mais desertas
Onde talvez passassem rios

Agradeci o vento
Que fez as árvores
Acenarem para mim
E chorei sorrindo
Meio escondido
Para não comover
Todo o jardim

Nesse instante eu sou poeta
Mais do que antes -
há dias atrás

Nesse instante eu sou poeta
Mas talvez, daqui em diante
Eu já não seja mais

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sem contato

Seu silêncio me diz algo
Não consigo entender
O quê?
Ou ele não diz nada
E é você que simplesmente
Não tem nada pra dizer?

Não, não, não
Seu olhar me dá ordens
Eu consigo perceber
Mas por mais que você olhe
Eu não posso obedecer
Porque não sei o quê

Seus cabelos maltratados
O que querem me dizer?
O que está acontecendo?
O que houve com você?

Seu silêncio me responde
Que não era nada disso
O que eu tinha que dizer
Não sei porquê

domingo, 13 de março de 2011

Atriz

Acorda-me obscena
Dando beijos de cinema
Só para ensaiar
Mas não vai trabalhar
Faz charme, faz manha, faz cena
- Ela não quer levantar

A tarde é de improviso
Está livre para aprontar
Deixa, antes, um aviso:
Para não sair no prejuízo
É melhor eu acompanhar

Ao escurecer
Para não perder,
Esconde todo seu juízo
Inventa, sem saber
Mais de mil sorrisos
(todos tão precisos)

É aí que mora o perigo!
Ela vira e ganha luz
Canta, encanta
Vibra, seduz

Tão amável, tão feliz
Tão beata, tão atriz
Não faz isso comigo
Beatriz